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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

 Esta parte do blog consiste em finalmente falar sobre Dona Raymunda Matos e relacionar sua realidade com a parte histórica já apresentada.

 No início da década de 30, até os 8 anos de idade, minha avó morava com seus pais e sua irmã (bisa Eduardo e Aleluia e titia Ana) na Rua Sodré, no Politeama, entre a Gamboa e a Igreja de Santa Teresa.  Porém saíram de lá após meu bisavô se desentender com a senhoria. Foi quando se mudaram para o Queimadinho. Passaram então a morar na Vila dos Guardas, no IAPI.




Bisa Eduardo era Guarda Civil, Bisa Aleluia era dona de casa. A família não era rica, na verdade os moradores do bairro eram pessoas menos abastadas. A casa ainda não tinha água encanada e Dona Ray conta que precisavam buscar água na fonte, em baldes, cedo da manhã, para cozinhar, para beber e tomar banho. As roupas eram lavadas na Fonte do QueimadinhoEste local servia para lavar roupar particulares e também servia para as chamadas “Lavadeiras de ganho”.
Além disso, Dona Ray conta que vinham animais dos interiores, cheios de cargas, e ali paravam para se alimentar e beber água. Vinham da Estrada das Boiadas.
Os moradores do bairro geralmente trabalhavam no comércio (fora) ou na Sessão de Água (empresa de fornecimento de água, da Fonte do Queimadinho).
Durante a infância, brincavam na Praça da Soledade e nos passeios das casas. “As casas eram muito bonitas!” Brincavam de bola, amarelinha, corda...




Havia um garotinho que brincava escondido dos pais e da secretária do lar, com ela e Titia Ana. Esse menino morava numa casa enorme e seu pai era médico, Dr. Elísio (mais tarde, engenheiro do DER-BA). Esta casa grande, hoje é o Hospital Ana Nery (Caixa D’água) e o rapazinho seguiu os passos do pai, se tornando Dr. Elisinho.



As crianças brincavam pela manhã e parte da tarde. "Era tudo tranquilo...não passava carro, era o bonde. Eu ficava na praça e via o bonde subindo e descendo. Hoje não tem mais..." Conta sorrindo, se referindo à ladeira São José de Cima e São José de Baixo.




Já no, hoje, Ensino Fundamental, estudava no ICEIA - Instituto Central de Educação Isaías Alves Geral, e pegava o bonde para ir até a escola. Lá, passava a manhã na aula e a tarde na biblioteca, estudando, pois não tinha dinheiro para comprar livros. Formou-se no Magistério, estagiou no Colégio Rui Barbosa (Nazaré), na 2ª série. Ia andando com irmã, subia a Ladeira do Hospital.
Passou no concurso público, mas não foi convocada de imediato. Bem depois, o prefeito de Camamu entrou em contato com Bisa Eduardo, convocando minha avó e titia Ana para trabalhar naEscola Estadual Oswaldo Cruz. Além das duas, mais uma moça havia sido convocada, a Elisabete. Camamu é uma cidade do litoral sul da Bahia, localizada na Costa do Dendê.




Viajaram, então, para a tal cidade, de navio a vapor. Quando chegaram, todos da cidade já tinham conhecimento da vinda das professoras. No cais, tiveram uma calorosa recepção dos mercadores. Como afirma ter sonhado, avistou um homem branco, de cabelos claros e bigode, espiando a chegada, da sua casa de comércio. Era meu avô, Mário.
Ficaram hospedadas temporariamente num hotel, mesmo hotel em que meu futuro avô jantava todas as noites. Ele a olhava, mas ela ficava envergonhada, pois era muito tímida. Mas aos poucos foram se conhecendo. Fixou-se na cidade. Fez poucas amizades, mas era muito participativa nas atividades. Passeava, cantava, viajava, participou do grêmio escolar.Morou por 10 anos e 1 mês em Camamu e neste intervalo de tempo, meu avô Mário foi vereador. Casaram-se. Conta que no dia do casamento, foi feriado na cidade. Meu avô passou no concurso público para o DER-BA e vieram para Salvador. Moraram por 10 anos no Pero Vaz, com meu Bisa Eduardo, Minha Bisa Aleluia.




 Tiveram filhos. 7 ao total. Na foto que segue, aparecem apenas 4: Guiomar Maria (minha mãe), Marcelo Eduardo, Antônio Francisco (no colo) e Manoel Raimundo.



Dona Ray trabalhava na Escola Parque, onde lecionou por 20 anos. A Escola Parque, localizada no bairro da Caixa D’Água, foi uma das primeiras instituições de ensino do Brasil. Contava com educação em tempo integral, de cunho profissionalizante e com foco em nas comunidades mais carentes. Pela manhã, aconteciam as aulas tradicionais e pela tarde, cursos profissionalizantes, como corte e costura, marcenaria e trabalho com couro.




Foi vice-diretora do Colégio Estadual Dinah Gonçalves por 5 anos, localizado no Bairro de Valéria. Bairro que moramos atualmente.







segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Carreira das Índias

Vamos falar um pouco sobre nossa cidade e suas influências culturais, no âmbito da culinária. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII a Ásia e Europa, havia uma ligação marítima chamada Carreira das Índias. 



Essa rota tinha possuía finalidades comerciárias, onde as mercadorias eram levadas e trazidas aos portos de Portugal e alguns portos do Oriente/Índia(Goa, Cochim, Cananor, Coulão e Malaca), e neste ponto central, o Porto de Salvador servia como ponto de escala.
Algumas cargas eram contrabandeadas aqui e assim tivemos ajuda em nossa formação culinária. Diversas especiarias, condimentos, temperos e pratos aqui consagrados sofreram influência por terem sido trazidos da Europa e do Oriente, através da Carreira das Índias. Como exemplo, temos o gengibre, a pimenta, o trigo e o arroz.

Segue abaixo vídeo da cantora Maria Bethânia, que retrata em forma de musica a influência da Europa e Ásia na culinária da nossa cidade.



Maria Bethânia - Caminho das Índias


Minha mãe de leite sempre me ensinou
Meu tempero é outro sou do azeite
Pimenta de cheiro pitada de amor
Sal da terra é salva salva Salvador
Ai meu coração preciso de amparo
Busco em Santo Amaro purificação
Minha mãe de leite sempre me ensinou
Meu tempero é outro eu sou do azeite
Pimenta de cheiro pitada de amor
Sal da terra é salva salva Salvador
Ai meu coração preciso de amparo
Busco em Santo Amaro purificação
Caminho das Índias caminho do mar
O vento e a vela cravo e canela
O ouro do rei na mesma panela
Deixar cozinhar que eu fico contente
Cantar minha gente rapaz se oriente
Eu sou a semente que veio de lá
Caminho das Índias caminho do mar
O vento e a vela cravo e canela
O ouro do rei na mesma panela
Deixar cozinhar que eu fico contente
Cantar minha gente rapaz se oriente
Eu sou a semente que veio de lá
Minha mãe de leite sempre me ensinou
Meu tempero é outro eu sou do azeite
Pimenta de cheiro pitada de amor
Sal da terra é salva salva Salvador
Ai meu coração preciso de amparo
Busco em Santo Amaro purificação
Caminho das Índias caminho do mar
O vento e a vela cravo e canela
O ouro do rei na mesma panela
Deixar cozinhar que eu fico contente
Cantar minha gente rapaz se oriente
Eu sou a semente que veio de lá
Minha mãe de leite sempre me ensinou
Eu sou a semente que veio de lá


Referência: http://www.vagalume.com.br/maria-bethania/caminho-das-indias.html#ixzz3JLyxsdEN




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Origem e questões de ser um bairro afro

"Cheguei na Liberdade com meus pais em 1930. Tinha sete anos. Isso aqui tinha todas as aparências de quilombo, desses que você só ouviu falar.(...) Todos os moradores eram negros. Algum escravo liberto, tinha muitos que eram africanos mesmo, mas a maioria era filhos deles, os filhos da escravidão." Hilda dos Santos (Mãe Hilda) - Comunidade do Ilê Ayiê – Curuzu.



Embora, desde 2012 segundo o IBGE, a Liberdade não seja mais o maior bairro negro de Salvador, não podemos negar a africanidade presente no local.

Liberdade (Núcleo)

Nos primeiros anos da formação da cidade de Salvador, este era apenas um único bairro chamado de “Liberdade” e que, com seu crescimento, foi desenvolvendo subdivisões e outros bairros foram surgindo, como Caixa d’Água, Curuzu, Pero Vaz, Sieiro, Lapinha e o Queimadinho. O Sieiro está localizado às margens da Estrada da Liberdade e se integra culturalmente aos bairros vizinho da Lapinha e do Queimadinho.
Havia uma estrada de terra, chama Estrada das Boiadas, que unia a cidade de Salvador às demais localidades, que servia como passagem dos bois que vinham do sertão, destinados à capital, e eram comercializados na Feira do Capuame.
No dia 2 de julho de 1823, combatentes que lutaram pela independência da Bahia, marcharam vitoriosos pela Estrada das Boiadas e por adentrou o exército libertador. Assim, a Estrada das Boiadas passou a ser chamada Estrada da Liberdade.
Acompanhando o crescimento da cidade de Salvador, para onde se dirigia a população rural a fim de fugir da seca que assolava o interior do Estado, o processo de expansão da Liberdade se iniciou nas primeiras décadas do século XX, tendo como via de irradiação desse crescimento a Avenida Lima e Silva.
Nos anos 30, já havia quatro chácaras, situadas no Curuzu, ocupando uma grande parcela da área do bairro. A população da Liberdade aumentou devido ao loteamento e venda das chácaras. Por ser próximo ao centro comercial e financeiro de Salvador (na época, a Rua Chile e o Comércio), o bairro oferecia um acesso mais fácil ao trabalho, contribuindo para que as pessoas pudessem morar ali.

O mais antigo bairro popular de Salvador, sua povoação se deu também por artesãos em geral, como calafates, marceneiros, alfaiate e pedreiros. Quanto à proveniência dos moradores, sabe-se que uma parcela considerável deles consiste em pessoas vindas do interior do Estado, que se misturam entre as que nasceram no bairro. A partir desse momento, a ocupação se deu desordenadamente através de invasões, favelização e subsequente urbanização das moradias.

Localização




Fonte do Queimadinho

O parque Memória das Águas foi construído para proteger a fonte de água do Queimadinho. Para alguns moradores, a construção revela uma forma de culto à água doce. Outros dizem que a fonte é colonial e tem maior relação com a Independência da Bahia. O fato é que não se sabe ao certo a história da Fonte do Queimadinho. Quando inaugurada, a fonte colonial se tornou ponto de encontro da comunidade. As “lavadeiras de ganho”, atividade rotineira na época, e os banhos infantis eram comuns e são lembrados até hoje pelos habitantes mais antigos.



Primeiros anos do século 20 ou do final do século 19. Vê-se as instalações industriais do Queimado, a fonte e a Capela. Embaixo, postal circulado em 1911, onde se vê o Queimado e a antiga Caixa d'Água (Reservatório da Cruz do Cosme).

Bem vindos !

O bairro do Queimadinho é a antiga Fazenda Santo Antônio do Queimado. Considerado um dos menores bairros de Salvador, está localizado entre a Caixa D’Água, a Lapinha e a Liberdade. Lá estão localizados o Centro de Memória da Água e a Organização de Auxílio Fraterno (OAF). O bairro pode ser dividido em três áreas distintas: o Parque do Queimado, a Rua do Queimado e a Vila Vicentina. A Fonte do Queimado é um dos atrativos do bairro,construída em 1801, já era conhecida dos Jesuítas desde o século XVIII, sendo que, em 1859, D. Pedro II visitou o local na ocasião da inauguração do reservatório do Cosme, na Caixa D’Água, primeiro em alvenaria erguido no país.